Para o Sexo a Expirar – Carlos Drummond de Andrade
Publicado por: Mariana Treska, em 21 agosto, 2009
Para o sexo a expirar, eu me volto, expirante.
Raiz de minha vida, em ti me enredo e afundo.
Amor, amor, amor – o braseiro radiante
que me dá, pelo orgasmo, a explicação do mundo.
Pobre carne senil, vibrando insatisfeita,
a minha se rebela ante a morte anunciada.
Quero sempre invadir essa vereda estreita
onde o gozo maior me propicia a amada.
Amanhã, nunca mais. Hoje mesmo, quem sabe?
enregela-se o nervo, esvai-se-me o prazer
antes que, deliciosa, a exploração acabe.
Pois que o espasmo coroe o instante do meu termo,
e assim possa eu partir, em plenitude o ser,
de sêmen aljofrando o irreparável ermo.
By Carlos Drummond de Andrade
Popularity: 1% [?]
Artigos relacionados
- Soneto de fidelidade – Vinicius de Moraes
- Quem sabe um dia – Mario Quintana
- O Haver – Vinicius de Moraes
- O Tempo – Jonatha Fernandes
- Amor é bicho instruído – Carlos Drummond de Andrade
Tags: acabe, afundo, aljofrando, amada, amanhã, Amor, andrade, braseiro, carlos, Carlos Drummond de Andrade, carne, coroe, deliciosa, Drommond, enredo, ermo, espasmo, estreita, expirante, expirar, explicação, exploração, gozo, insatisfeita, instante, invadir, irreparável, maior, mundo, nervo, nunca, orgasmo, partir, plenitude, prazer, propicia, radiante, raiz, sabe, sêmen, sempre, sexo, termo, vereda, vibrando, vida, volto
Processing your request, Please wait....








