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Cálice – Chico Buarque

Publicado por: Eduardo Treska, em 4 setembro, 2009

Deixarei agora duas musicas que fizeram história no tempo do regime militar no Brasil.

Calice foi uma das mais geniais musicas de Chico Buarque e Gilberto Gil.

Em um tempo onde tudo era censurado onde o povo tinha que ficar quieto alguns artistas ainda tentavam passar mensagens ocultas nas musicas para ver o povo acordar.

Então para aqueles que nunca prestaram atenção nesta musica olhem a letra e veja o video que irão descobrir que Chico de certa forma conseguiu o que queria.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=26g1jQG-n4Y&hl=pt-br&fs=1&color1=0x3a3a3a&color2=0x999999&border=1]

Um trecho do show realizado no Anhembi, em São Paulo. A música Cálice foi considerada subversiva pelos orgãos da ditadura militar, por isso mesmo sendo cantada com a letra modificada, o microfone do Chico Buarque foi desligado.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=oXGDlMMOEWg&hl=pt-br&fs=1&color1=0x3a3a3a&color2=0x999999&border=1]
Calice
Chico Buarque

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor, engolir a labuta
Mesmo calada a boca, resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta
De que me vale ser filho da santa
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta força bruta

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado
Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada pra a qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

De muito gorda a porca já não anda
De muito usada a faca já não corta
Como é difícil, pai, abrir a porta
Essa palavra presa na garganta
Esse pileque homérico no mundo
De que adianta ter boa vontade
Mesmo calado o peito, resta a cuca
Dos bêbados do centro da cidade

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Talvez o mundo não seja pequeno
Nem seja a vida um fato consumado
Quero inventar o meu próprio pecado
Quero morrer do meu próprio veneno
Quero perder de vez tua cabeça
Minha cabeça perder teu juízo
Quero cheirar fumaça de óleo diesel
Me embriagar até que alguem me esqueça

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