Analise do poema Canção mínima – Cecília Meireles (Parte 1)
Potado por Mariana Treska em dezembro 1st, 2009No Mistério do Sem-Fim
equilibra-se um planeta.
E no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro;
no canteiro, uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro.
entre o planeta e o Sem-Fim,
a asa de uma borboleta.
By Cecília Meireles
Percebemos quem em uma primeira leitura de “Canção mínima”, revela-se uma pincelada descritiva, com cenários naturais: planeta; jardim; canteiro; violeta; borboleta. Envolvendo os elementos desse cenário natural, é sugerido o “mistério” do “Sem-Fim”, mendionado no início e no final.
Pode-se ampliar essa primeira leitura, verificando os vários níveis de construção do texto, o que conduz o leitor à descoberta de novas significações.
Composição Gráfica do Poema
Comece por notar o espaço que o poema ocupa na página; é quase um desenho: primeiro, um grupo de dois versos, a primeira estrofe. A seguir, um conjunto de quatro versos, a segunda estrofe, que se separa das outras duas, visualmente, por um intervalo ou uma linha em branco. Por último, a estrofe final. A organização do poema na página, isto é, sua composição gráfica, indica três partes, sendo a primeira e a úlima graficamente semelhante.
O ritmo do poema
Releia o poema em voz alta, procurando perceber seu ritmo. Os versos ou linhas tem todos o mesmo tamanho. Há sons que se respondem como ecos: sem-fim/jardim; canteiro/inteiro; planeta/borboleta. Algumas palavras aparecem duas vezes: sem-fim; planeta; canteiro. Observe como o conjunto se harmoniza pela cadência rítmica ou alternância entre silabas fortes e fracas. Efeitos sonoros e cadência equilibram ritmicamente o texto.
O léxico e a sintaxe do poema
Observe as palavras que compõem o poema e o modo como elas se organizam. O vocabulário ou o léxico se constitui de palavras simples e conhecidas pelo leitor. Verificado a categoria gramátical dessas palavras, você encontrará um predomínio de substantivos. E verbos? Expresso, apenas um, no segundo verso ou na linha do texto: equilibra-se. Esse verbo fica subentendido nas vírgulas dos versos seguintes, onde se sugere a repetição de uma situação:
E no planeta, (equilibra-se) um jardim,
e, no jardim, (equilibra-se) um canteiro;
no canteiro, (equilibra-se) uma violeta,
e, sobre ela, (equilibra-se) o dia inteiro. *
* e, sobre ela, o dia inteiro. Aqui você pode encontrar duas interpretações. 1ª sobre a violeta há um dia inteiro, ou 2ª (e a que eu acho mais relevante) o dia equilibra-se sobre a violeta.
Não só a situação se repete, mas também o modo como as palavras se combinam sintaticamente, já que todos os versos apresentam a mesma construção sintática.








