Plena mulher – Pablo Neruda
Potado por Mariana Treska em dezembro 4th, 2009
Plena mulher, maçã carnal,
lua quente, espesso aroma de algas,
lodo e luz pisados, que obscura claridade
se abre entre tuas colunas?
que antiga noite o homem toca com seus sentidos?
Ai, amar é uma viagem com água e com estrelas,
com ar opresso e bruscas tempestades de farinha:
amar é um combate de relâmpagos e dois corpos
por um só mel derrotados.
Beijo a beijo percorro teu pequeno infinito,
tuas margens, teus rios, teus povoados pequenos,
e o fogo genital transformado em delícia
corre pelos tênues caminhos do sangue
até precipitar-se como um cravo noturno,
até ser e não ser senão na sombra de um raio.
By Pablo Neruda
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