Natal – Vinicius de Moraes
De repente o sol raiou
E o galo cocoricou:
- Cristo nasceu!
O boi, no campo perdido
Soltou um longo mugido:
- Aonde? Aonde?
De repente o sol raiou
E o galo cocoricou:
- Cristo nasceu!
O boi, no campo perdido
Soltou um longo mugido:
- Aonde? Aonde?
Na eternidade, ninguém se julga eterno.
Aqui, nesta estada, penso que vou durar
além dos meus anos, que terei
outra chance de reaver o que não fiz.
Se perdoar é esquecer, me espera o pior:
serei esquecido quando redimido.
Não me perdoes, Deus. Não me esqueças.
O esquecimento jamais devolve seus reféns.
A claridade não se repete. A vida estala uma única vez.
Nilsa deitou-se para dormir como nas demais noites. Como de costume, demorou a pegar no sono. Raramente sonhava, e dormia noites tranqüilas. Mas essa noite foi diferente.
***
O padeiro bateu a porta, como fazia todas as manhãs, para levar pão fresco a sua cliente. Tocou a campainha e ninguém atendeu. Olhou para dentro e viu na [...]